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11 novembro, 2016

Leonard Cohen. Até ao fim do amor.



A música tem perdido grandes nomes. Acredito, contudo, que a obra é imortal. Continua ao nosso dispor, seja através dos discos que se têm em casa, dos vídeos que pudemos ir resgastar ao Youtube, seja das músicas que ainda passam na rádio. O músico morre, mas a música permanece viva, e as memórias também. Acontece-me isso com Leonard Cohen, que deixou ontem este mundo, quem sabe dançando, na direcção do amor

Dance Me To The End Of Love, foi a música que me lembro de ouvir vezes e vezes sem conta durante a minha infância. A minha mãe é fã do cantor, aprecia-lhe a voz grave, rouca, a forma lenta e pausada de cantar. Por isso, no Natal de 2002 ofereci-lhe o disco "The Essential Leornard Cohen". Assim, quando fazíamos as viagens para a escola e de regresso a casa era esse o CD que tocava no carro. Esses trajectos ficaram, curiosamente, associados a essa memória musical como se um não existisse sem o outro. É curioso o facto de, enquanto criança de 11 anos, gostar de ouvir esse género de música, mas a verdade é que não me recordo de pedir à minha mãe para mudar aquilo que estava a ouvir. Não direi que me tornei tão fã do cantor como a minha mãe, ou que continuei a acompanhar o seu trabalho depois dessa fase, mas ganhei um carinho por Cohen e pela sua música. Sempre que ouvia falar de Leonard Cohen era como se ouvisse falar de um velho amigo que outrora já me tinha acompanhado. Ele fê-lo, através das suas músicas. 

Leonard Cohen, também escritor e compositor, morreu aos 82 anos. Viveu uns escassos meses após a morte de Marianne, a sua musa inspiradora, que faleceu em finais de julho. Na altura, Cohen despediu-se dela através de uma carta emotiva, em que referia estar próximo de Marianne e onde dizia que brevemente se encontrariam pelo caminho.
Num dos seus últimos temas o poeta canadiano dizia-se pronto para morrer - "I'm ready, my Lord" - mas acrescentou, mais tarde, que estava a dramatizar e que pretendia viver para sempre. Decerto viverá. Até porque o amor não se esgota aqui.

Ainda tenho de contar a notícia à minha mãe.

Nota: Já lhe contei. A resposta foi: "era a voz da minha vida."

 

07 novembro, 2016

Livros? Não dá para virar a página!

Livros nunca são de mais. Há sempre um que queremos ler. Há sempre mais um que ficamos a namorar quando passamos pela livraria. Há sempre um novo e imperdível lançamento do nosso autor preferido. Há sempre um clássico que ainda não lemos e que não pode faltar na nossa biblioteca pessoal. Há sempre o livro certo para nós, naquele momento que é o agora.

Sou uma pessoa tão apaixonada por livros. Obrigada, mãe. Conforme dizes, foi desde pequena que me incutiste esta prática da leitura. Comecei por folhear livros infantis, cheios de desenhos e bonecos, depois fui crescendo e à minha estante foram-se juntando livros de outro género, mais direccionados para jovens crianças e adolescentes. Lembro-me perfeitamente dos livros que marcaram essa minha transição para o mundo dos "mais crescidos". Estou a falar das colecções de "Uma Aventura" e de "Os Cinco", obras certamente conhecidas da maioria que me lê. Lia tão rápida e interessadamente que em dois dias tinha o livro dado como lido. Que viesse o próximo. E veio sempre, um livro atrás do outro. Cresceu o interesse por outros enredos e por novos autores que fui conhecendo enquanto eu própria crescia, e a minha mente foi pedindo mais qualidade, o meu cérebro mais raciocínio. Houve uma época em que me rendi à saga de Harry Potter, de J.K. Rowling, (quem não?) li quatro livros, apesar de ter seis em casa. Escusado será dizer que no pico da minha adolescência fiquei presa a romances e até hoje, reconheço, é um dos meus géneros literários/narrativos predilectos. Quando me iniciei na leitura de romances comecei pelos famosos livros do escritor Nicholas Sparks. Hoje em dia, sou sincera, tenho dificuldade em voltar a ler algo do autor. Foram tantos os livros que li, um atrás do outro, que me apercebi que as histórias eram praticamente moldes umas das outras e acabei por me cansar um pouco desse estilo de escrita tão somente baseado no romance. Acredito que talvez daqui a uns anos eu possa dar outra oportunidade a Nicholas Sparks, que é sem dúvida merecedor de todo o sucesso que tem alcançado, mas que neste momento não satisfaz por completo as minhas necessidades enquanto leitora. Posto isto, e uma vez que deixei este escritor de lado, conheci outros, e é tão empolgante reconhecer que cada um tem o seu registo pessoal. Joanne Harris, Nora Roberts, Lesley Pearse, Dorothy Koomson, Jodi Picoult, Paullina Simons, são escritoras que me foram acompanhando até hoje. São extremamente talentosas e já me fizeram sentir tanto ao ler as páginas e as histórias que escreveram. Mais tarde, numa outra publicação, posso mencionar quais os meus livros favoritos de cada uma destas escritoras e fazer uma breve resenha deles.

Agora, em pleno ano de 2016, noto que o meu interesse literário está novamente a sofrer uma metamorfose. Se de há uns anos para cá já escolhia romances com uma boa trama de fundo e baseados em histórias reais, agora isso tem vindo a intensificar-se. Se houver um livro sobre guerra, catástrofes, causas humanitárias, muito provavelmente eu vou querer tê-lo. Não me refiro a livros de história "pura e dura", mas a romances cujo palco são momentos marcantes da história mundial. Esse enlace entre ficção e realidade é desafiador para o autor e bastante informativo para o leitor. 



Neste momento de viragem pessoal, e também literária, existem quatro livros que quero ter, desesperadamente, em cima da minha banca de cabeceira

"Toda a Luz Que Não Podemos Ver", de Anthony Doerr. Recebeu o Prémio Pulitzer 2015 - Ficção. Já tenho este livro, mas ainda não comecei a ler. Trata da II Guerra Mundial e dos ataques de Hitler. Mais não digo porque mais tarde pretendo escrever sobre o livro aqui no blog. 

"Vaticanum", de José Rodrigues dos Santos. Um livro sobre o Papa, a Igreja e o Estado Islâmico.

"O Diário de Anne Frank". Um clássico. O relato verídico de uma jovem que foi obrigada a esconder-se durante a ocupação Nazi a Amesterdão.

 "A Rapariga do Comboio", da autora Paula Hawkins. Um livro cheio de mistério e intriga que consegue agarrar o leitor do início ao fim. 

Possivelmente alguns destes livros serão os meus presentes de aniversário e de Natal, e como ficarei feliz! Costumam dizer que as viagens são um investimento que nos deixa mais ricos, eu concordo, e acrescento que o mesmo se passa com os livros. Um livro deixa-nos tão ricos, tão completos, tão conhecedores! Eu tenho, neste momento, dois livros para terminar de ler, mas como se nota já estou a acrescentar mais uns quantos à minha estante. Porque os livros são assim, são um amor que não tem fim.

06 novembro, 2016

À Procura de Dory | Filmes

Esta semana assisti ao filme "À Procura de Dory", que surgiu este ano como uma continuação do grande sucesso da Disney Pixar "À Procura de Nemo". Estava com vontade de ver o filme desde o momento em que soube que iria estrear. Tinha ficado com uma boa impressão do primeiro filme, que vi vezes e vezes sem conta, e achei interessante a ideia da Disney Pixar retomar a sequela de Nemo. Mal consigo acreditar que já se passaram 13 anos desde o lançamento do primeiro filme! Mas é curioso como a história inicial permanece recente na minha memória. Por isso estava com muitas expectativas para este filme que, apesar de ser de animação, é um dos meus géneros preferidos, independentemente da idade que tenha. "À procura de Dory" é um filme com cerca de 1h30m de duração e ao qual dou nota positiva. Não se pode dizer que seja um filme apenas para os mais pequenos, pelo contrário, penso que se adapta a qualquer idade. Considero um filme divertido, educativo, e emocional ao mesmo tempo. Resumindo: a nossa Dory, que sofre de perda de memória a curto prazo, vive tranquilamente com os amigos Marlin e Nemo, até que começa a lembrar-se, aos poucos, da sua família. Inquieta e aventureira como sempre foi, decide ir procurar os pais e arrasta os amigos para mais uma aventura que envolve buscas, novas amizades, e memórias do passado. Na nova sequela do filme grande parte da acção tem lugar num centro de recuperação para animais marinhos.


Escusado será dizer que Dory se vai perder de Marlin e Nemo e vai ter de enfrentar muitos desafios até conseguir encontrar a família, que se encontra na Jóia da Baía do Morro. Pelo meio, surgem novos personagens muito carismáticos e com os quais se cria facilmente afinidade, como é o caso do polvo Hank, que se revela um leal amigo, e da baleia Destiny com quem Dory volta a encontrar-se após tantos anos (finalmente está desvendado o mistério de Dory saber falar baleiês!). "À Procura de Dory" é um filme sobre a força da amizade e o poder de acreditar no nosso instinto. Existem pedaços do passado que nos chegam através de flashbacks e tenho de frisar a ideia do amor e da paciência maternos, que são personificados no filme através dos pais de Dory. É um seguimento muito inteligente e bem estruturado do filme de Nemo e é a oportunidade perfeita para nos apaixonarmos ainda mais pela divertida cirurgiã-paleta. Um filme que arranca emoções, que estimula a nostalgia, e que nos faz sorrir!

Nota: vi o filme em inglês, apenas com legendas em português, e é engraçado identificar em cada fala de Dory a voz da grande apresentadora Ellen DeGeneres. Mas, devo dizer que em "À Procura de Nemo"(2003) assisti à versão portuguesa e dou nota 10 ao desempenho de Rita Blanco como "Dory". Uma dobragem excecional da atriz!

Dados do filme:
Título: À Procura de Dory
Título Original: Finding Dory
Ano: 2016
Diretor: Andrew Stanton, Angus MacLane
Disney

06 abril, 2016

Quando os programas de TV são doentios

Tive de mudar de canal. Há limites. Abordem temas interessantes, culturais, de iniciativas, de casos de sucesso, de novos artistas, de feitos inspiradores, de conquistas, de viagens, de humor. É disso que precisamos. As pessoas não querem ouvir falar de doenças. Eu, pelo menos, não gosto. Faz-me mal. É doentio. Tem uma carga muito pesada. Deixa-me incomodada, preocupada, assustada. Os programas de entretenimento deviam fazer isso mesmo: entreter, distrair, aliviar as tensões do dia-a-dia, e não produzir o efeito contrário nos telespectadores. Qual é a pessoa que depois de um dia de trabalho cansativo se sente bem ao chegar a casa e ser bombardeado com testemunhos de pessoas que sofrem de doenças graves? Atenção, não estou a falar de um caso. Num único programa, e pelo que fui ouvindo enquanto fazia outras tarefas, contabilizei três casos, três doenças diferentes, isto no espaço de duas horas. Depois disso tive de desligar, apesar da televisão só estar a servir como barulho de fundo. Mas, convenhamos, até assim me senti desconfortável.

Gettyimages
Sou a favor da população estar informada sobre estes assuntos, e é claro que os media têm o dever de prestar serviço público, mas vamos dosear isto um pouco! Concordo, e sou espectadora, das acções de sensibilização e alerta para as mais variadas doenças. É importante consciencializar as pessoas através de campanhas de prevenção, mostrar-lhes quais os principais sintomas a ter em conta e quais as novas terapêuticas. Excelente. Isso é informar. O resto é esmiuçar o tema, é mexer com o dedo na ferida, é explorar a dor das pessoas, é propagar um contágio de ideias negativas.

Ao invés disso, falem de saúde, de alimentos que curam, da prática de exercício físico, ou então de música, de bons livros, de peças de teatro, de amizade e de amor. Afinal, é isso que faz as pessoas felizes e cultas. Estes programas são mais direccionados para a população idosa, eu estava a ver por mero acaso. Felizmente tenho vários canais ao meu dispor, cada um com a sua temática, mas as pessoas mais velhas provavelmente não têm. Estão restringidas aos quatro canais generalistas, o que significa que vão estar a ouvir falar disto praticamente todos os dias e a focar a sua atenção em doenças. 
E não, não sou insensível perante os problemas dos outros, quando digo isto estou a pensar também nas pessoas que já sofrem de alguma patologia e que, com certeza, se querem abstrair disso.

Resumindo e concluindo: que haja informação, mas que não afundem as pessoas na desgraça. Os programas de televisão devem funcionar como um escape à vida, que por vezes pesa e dói, eu sei. Por isso, há que torná-la mais leve.

21 março, 2016

Como surgiu o meu livro de poesia?

Hoje é o Dia Mundial da Poesia! Ah, a poesia. Uma forma de expressão tão única, cheia de peculiaridades, que abarca tanto sentimento!
O meu primeiro livro de poesia foi publicado em novembro de 2013. Dei-lhe o título de "Amor à Letra", que representa bem a minha relação com as palavras, e escrevi-o sob um pseudónimo (Bella Viriato). Só por aqui se percebe a admiração que nutro pelo poeta Fernando Pessoa. É uma das personalidades que mais admiro, e ainda hoje penso como seriam as nossas conversas caso tivesse tido o privilégio de o conhecer. 

Mas como surgiu o meu livro de poesia?
De um blog. Simplesmente assim. E da necessidade de me expressar através da escrita.
Alimentei um blog privado durante alguns anos e era aí que escrevia poemas e pensamentos mais intimistas, ao contrário do que faço agora com o Luz e Poeira. Um dia decidi reunir alguns deles, melhorá-los, e uma editora de poesia aceitou publicá-los. No fundo, o livro é uma compilação de uma escrita poética que fui acumulando com o tempo. O que estava reservado só para mim passou a ser público e acessível a todos. A poesia é uma arte muito pessoal, diz muito de quem a escreve. Mas é moldável, adapta-se facilmente a diversos leitores. É interpretativa. A poesia, antes de ser escrita, já o é, só de ser pensada e sentida. Aceito a ideia de um artigo jornalístico desprovido de sentimento, mas não concebo a ideia de um poema sem alma. 


No dia da apresentação do livro pude contar com a presença de pessoas muito especiais para mim. Para além da família e amigos, convidei o meu professor de Português do 3º ciclo, que muito admiro, para apresentar o livro. Pude contar com a intervenção do responsável da Biblioteca Municipal de Portalegre e com o Grupo "Os Amigos da Poesia", que conferiu ainda mais encanto ao momento. Ser-lhes-ei sempre grata.

18 março, 2016

Migração para o digital: um jornalismo mais económico


Os problemas de financiamento, a falta de investidores e a crescente era digital estão a obrigar os jornais a restringirem-se ao online. Exemplos disso são o jornal espanhol El País, que está a apostar numa transformação digital, e o Diário Económico, que publicou hoje a sua última versão em papel. As dívidas, o atraso nos pagamentos e a instabilidade directiva conduziram a este desfecho. A partir de hoje, o jornal  pertencente à Ongoing fica restrito à sua edição online, mantendo, ainda, as emissões do canal ETV. Fundado em 1989, o Diário Económico passou por fases de crescimento, e é considerado um jornal de referência em Portugal.

No site, assim como na versão impressa, pode ler-se uma mensagem de agradecimento dirigida aos trabalhadores, leitores e anunciantes, e a esperança de que esta seja uma situação temporária. 
Muitos são os funcionários que continuam a assegurar o conteúdo jornalístico e editorial do projeto apesar da situação precária em que se encontram. Aproveito para fazer referência à publicação de um vídeo que retrata a rotina na redação: as reuniões, a escrita dos artigos, a definição da manchete e a impressão do jornal, que hoje cessa. Como licenciada em Jornalismo, e enquanto cidadã atenta, sinto a informação mais empobrecida com estes acontecimentos. Trata-se de um retrocesso causado pelo progresso. É praticamente uma perda, uma extinção parcial. Para mim, é grave. Não só a situação financeira em que o jornal se encontra como a possibilidade de mais publicações lhe seguirem os passos em situações semelhantes. São muitos os jornais que enfrentam estas dificuldades, este não é um caso isolado. Estamos a assistir a uma mudança de interesses e este é um sector cada vez mais concorrencial. A internet, apesar de não ser a vilã neste caso, está a criar novos hábitos e a conseguir alcançar mais leitores. Considero notável a faceta camaleónica dos media, a adaptação ao mercado emergente das redes sociais e da tecnologia. Por outro lado, também a publicidade, uma das maiores receitas dos jornais, está a dispersar para plataformas mais "populosas" e a criar o seu próprio espaço, independente. 

Tendo em linha de conta este caso, espero sinceramente que não se abandone um modo de informar tão tradicional como o jornalismo de imprensa. O cheiro do jornal, as páginas, o próprio folhear... Até que ponto não está a ser exponencialmente substituído pelos cliques e pelos ecrãs? A tendência é o digital, e não censuro. Acho a internet um mundo sem limites, com grande capacidade  de projecção e visibilidade. Mas admito que temo o dia em que haja uma migração total para estas plataformas. Espero um futuro em que os leitores mantenham a possibilidade de escolha, em que a pluralidade seja assegurada e acessível a todos.

O Diário Económico é líder de vendas no segmento de Economia e o site economico.sapo.pt recebeu, só em janeiro, mais de 7 milhões de visualizações.

11 março, 2016

The Revenant e o Óscar de DiCaprio

Consegui, finalmente, ver o filme que valeu o Óscar de Melhor Actor a Leonardo DiCaprio. Ele também dirá o mesmo: «finalmente».
Antes de começar a desbobinar a minha opinião, puramente amadora, acerca do filme, tenho de escrever umas palavras acerca deste Óscar "tardio". O inatingível óscar de DiCaprio era já imagem de marca na internet e motivo de piadas em sites humorísticos. A verdade é que, após cinco nomeações, o actor foi distinguido com o almejado prémio! Vejamos: foram necessárias brilhantes interpretações e cerca de 25 anos de carreira até DiCaprio ser reconhecido pela academia dos Óscares como Melhor Actor. 
Usando-o como cobaia, isto faz-me pensar na determinação e perseverança que devemos ter na vida. O sucesso não é um resultado imediatoÉ natural falhar, mesmo quando se dá o melhor que há em nós. Muitas vezes queremos tudo para ontem, temos pressa, mas há todo um trajecto a percorrer. Às vezes tão sinuoso como o de Hugh Glass, neste filme. Em jeito de reflexão, o Óscar de Leonardo DiCaprio simboliza todos aqueles que ainda não atingiram os seus objectivos, mas que continuam a lutar pelo reconhecimento do seu trabalho.

Está feito o discurso, vamos agora ao que interessa: Acção!

Filme - The Revenant
(Pode conter spoilers)

www.imdb.com
Inspirado em factos reais, o filme baseia-se numa história de sobrevivência e vingança. Leonardo DiCaprio interpreta Hugh Glass, um lendário caçador do século XIX, que durante uma expedição pelas margens do rio Missouri é atacado por um urso e fica gravemente ferido.
O ataque provoca-lhe fracturas, impossibilitando-o de caminhar e, como é atingido pelo urso na zona do pescoço, só consegue emitir sons imperceptíveis. Numa época em que os ataques indígenas eram frequentes, transportar o inválido Hugh Glass atrasa o andamento da equipa e o mesmo acaba por ser abandonado pelos companheiros de caça. O explorador fica apenas entregue a dois companheiros que, assumindo a sua morte como certa, estão encarregues de lhe proporcionar um funeral digno. Contudo, o seu parceiro John Fitzgerald começa a comportar-se de forma desleal, chegando a enterrá-lo vivo e a levar os seus pertences. Mas a maior traição é outra: John Fitzgerald rouba-lhe o que tem de mais valioso. A vingança paira no olhar de Hugh Glass, que fica sozinho, ferido, e à mercê de um inverno rigoroso. É a partir deste ponto que começa a sua verdadeira luta pela sobrevivência. A personagem é dotada de uma força anímica brutal, que resiste às mais variadas intempéries, e que, simultaneamente, dá provas de grande inteligência e perícia perante as adversidades.

E o que dizer da interpretação de Leonardo DiCaprio? Intensa, profunda, real. Desde a caracterização física, que lhe conferiu maior robustez, à maneira como se move e se expressa. Conseguiu transmitir-me ferocidade, angústia, resiliência, compaixão. Mostra destreza nas cenas de acção e só o facto de mal conseguir falar, é um feito. O peso das palavras é substituído pelo das expressões. É muito mais difícil comunicar assim. E DiCaprio consegue manter a história viva só através da linguagem corporal. Uma das cenas que mais me marcou foi quando assiste a uma atrocidade dirigida ao filho. É possível ver dor e raiva no seu olhar, toda a expressão facial se altera e quase encarna um louco, apesar de não se mover um milímetro devido aos ferimentos. O ranger de dentes, a respiração. A própria luta com o urso e, no final, com Fitzgerald, revelam uma excelente capacidade interpretativa.


Houve outra cena que captou a minha atenção. Ao aperceber-se que uma tempestade vem a caminho, Hugh Glass abriga-se dentro de um cavalo, que antes abriu e esventrou. Uma cena que considero realística e que é prova do instinto de sobrevivência humano. De resto, fiquei maravilhada com os cenários naturais do filme: as árvores, as montanhas, a neve e os rios, a própria luz que incidia na acção. É marcante o contraste do sangue derramado com o branco imaculado da neve. Não foi por acaso que Emmanuel Lubezki venceu o Óscar de Melhor Fotografia com este filme. A meu ver, "The Revenant" só peca pela duração, que é de 2 horas e meia. Se retirassem meia-hora, pelo menos, acho que o essencial da história se mantinha. Também achei que as tribos indígenas deveriam ter sido mais exploradas durante o filme, mas pelo que tenho lido já percebi que "The Revenant" é muito centrado na figura principal (Hugh Glass), tanto que as informações acerca dos próprios companheiros também são escassas.
Na minha opinião, o filme explora o carácter humano em diversos níveis. Começando pela descoberta de territórios e pelo instinto da caça, passando pela dor da perda e desgosto da traição, e culminando na solidão, na vingança, na capacidade humana de resistir a situações tão inóspitas.


"The Revenant" foi dirigido por Alejandro Gonzaléz Iñárritu, que venceu o Óscar de Melhor Director. As gravações decorreram no Canadá, EUA e, numa fase final, na Argentina. A jornada de Hugh Glass foi, igualmente, distinguida com o Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático. 

03 março, 2016

Deadpool: O anti-herói desfigurado

Procuram um filme que conjugue acção, comédia e romance? Vejam "Deadpool".

Sou sincera, quando cheguei ao cinema do CascaiShopping a minha ideia era ver o badalado "The Revenant", que valeu o Óscar de melhor actor a Leonardo DiCaprio, ou até um filme mais descontraído. Acontece que fui pressionada para ver "Deadpool" e, como era o único que ia passar às 21 horas, lá cedi. A expectativa não era muita, a minha preferência cinematográfica não costuma passar por filmes de acção nem sou fã dos super-heróis da Marvel. Mas já que tinha a oportunidade de usufruir de uma noite de cinema, (sem pipocas, infelizmente), aceitei a sugestão, com alguma relutância, e posso dizer que não me arrependo. (Apesar de ter fechado os olhos para não ver as cenas mais violentas)


O filme conta, através de avanços e recuos temporais, a história de Wade Wilson - um ex-militar e atual mercenário, que virá a tornar-se Deadpool. Em bom português, Wade é uma espécie de "capanga" que, para defender uns, ataca outros fatalmente. Boa parte das cenas passam-se num bar, onde trabalha o seu melhor amigo, e onde o ambiente é de confusão, mas também de companheirismo. Acontece que o valentão Wade Wilson se apaixona por uma stripper, Vanessa Carlysle, e iniciam uma relação cheia de humor e cumplicidade. A química entre os dois é tão forte que ele decide pedi-la em casamento. A resposta é: sim! Acontece que nesse mesmo dia Wade sente-se mal e é-lhe diagnosticado um cancro nos pulmões em fase avançada. 


 

Nessa altura, a noiva tenta encontrar soluções para o salvar, mas quem apresenta uma nova forma de cura é um recrutador do Arma-X, apelidado de "Agente Smith". A proposta é tentadora: Wade só precisa de se submeter a um tratamento experimental que lhe regenerá todas as células e que lhe dará poderes sobrenaturais. 
Desesperado, Wade aceita e dá por si num laboratório administrado por Ajax (ou Francis, como Wade faz questão de lhe chamar), um membro do Arma-X, que o sujeita a variadas formas de tortura até conseguir provocar-lhe uma mutação. O próprio Ajax já tinha passado pela mesma experiência e tinha ficado imune à dor, simplesmente não sentia nada. Mas cada pessoa reage de forma diferente ao tratamento e Wade torna-se imortal, ficando automaticamente curado. A questão é que, para além disso, fica desfigurado. Revoltado com a situação, vira-se contra Ajax, que supostamente é o único capaz de lhe devolver o aspecto anterior.

A partir daqui inicia-se uma jornada de perseguição a Ajax. Wade Wilson não tem coragem de contar a verdade à noiva, que pensa que está morto, e envergonha-se da nova aparência. Por isso, veste literalmente uma máscara e intitula-se de "Deadpool", um homem com sede de vingança, disposto a tudo para recuperar a vida que tinha junto de Vanessa.


Um filme que, pelo seu argumento, tinha potencial para ser tenso, consegue intercalar de forma perspicaz o humor e a acção, o sarcasmo e o amor.
Às vezes é bom fugir do habitual, quebrar os nossos próprios padrões. Aconselho que façam o mesmo, de vez em quando. Pode ser que, no meio de uma sala de cinema às escuras, também dêem por vocês a rir, como eu. 

O actor Ryan Reynolds dá vida a Deadpool, personagem baseada nas publicações da Marvel Comics.
O filme foi dirigido por Tim Miller e estreou em Portugal a 11 de fevereiro de 2016.

16 fevereiro, 2016

Grammy Awards: prémios, imprevistos e homenagens

A 58º edição da cerimónia dos Grammy Awards teve lugar ontem, em Los Angeles, e marcaram presença grandes nomes da música como Taylor Swift, Lady Gaga e Adele. Os nomeados para as diversas categorias reuniam a atenção do público em geral, mas os olhares estavam igualmente centrados nas atuações dessa noite. E foram as performances, ou a falha delas, que marcaram a cerimónia.

Os holofotes estiveram em Taylor Swift, que abriu a noite com a interpretação de "Out of the Woods". Ao que parece, a estrela pop esqueceu-se de uma frase da música, um pormenor que passou despercebido à maioria e que não a impediu de brilhar. Afinal de contas, estamos a falar da vencedora do Melhor Álbum do Ano, com "1989", de Melhor Vídeo Musical, com "Bad blood", e de Melhor Álbum Vocal Pop.


No entanto, os rumores começaram após o discurso de agradecimento da cantora, que deixou uma mensagem subliminar a Kanye West, que a mencionou de forma ofensiva na música "Famous", pertencente ao último álbum do rapper.

E como não falar de um dos grandes vencedores dos Grammy'sKendrick Lamar? Apesar de não acompanhar o percurso nem o repertório musical do rapper norte-americano, tenho de dizer que foi um dos mais premiados



Arrecadou o prémio de Melhor Álbum de Rap com "To Pimp Up a Butterfly", de Melhor Canção e Atuação de Rap, com "Alright", e venceu mais dois gramofones por colaboração em "These Walls" e pelo vídeoclip "Bad Blood" em parceria com Taylor Swift. A performance do cantor foi uma das mais comentadas: o rapper surge acorrentado, num cenário prisional, que evolui para um cenário tribal em chamas, repleto de danças africanas.

Apesar de não estar nomeada para nenhuma catergoria, Lady Gaga foi a eleita para homenagear o falecido astro David Bowie. A cantora fez um medley com as músicas "Space Oddity", "Changes" e "Ziggy Stardust", e recorreu à tecnologia Intel para criar efeitos visuais que conferiram grande dinamismo à atuação.

                                                                                                                                                                                        www.metronews.fr

                                                                                                                                                                                       www.foxnews.com
A performance foi marcada pela cor, pela intensidade e versatilidade de Gaga, que mais uma vez encarnou a "personagem", vestiu o figurino e prestou um tributo à altura de Bowie. 




Já da interpretação de Adele não se pode dizer o mesmo, uma vez que enfrentou problemas técnicos enquanto cantava o tema "All I ask".
A cantora justificou-se, mais tarde, com um  problema ao nível dos microfones do piano, que deu a sensação de tudo estar desafinado. Os imprevistos também estão presentes em cerimónias desta envergadura e, como disse a própria Adele, "acontece".





Quanto a Justin Bieber, venceu pela primeira vez o mais prestigiado prémio da indústria musical graças a "Where Are U Now", premiada como Melhor Gravação Dance/Música Eletrónica. O jovem talento cantou também o tema "Love Yourself" em acústico, juntando-se depois a Diplo e Skrilex, numa explosão de ritmos. Acredito que o álbum "Purpose", de Justin Bieber, estaria nomeado para os Grammy Awards se tivesse sido lançado antes de outubro, data até qual se consideraram os lançamentos/produtos musicais de 2015.
Tem de ser dito: o novo álbum do cantor é maravilhoso e tem surpreendido os críticos. 

www.billboard.com

Quem também mereceu destaque na 58º cerimónia dos Grammy Awards foi Ed Sheeran. O cantor britânico foi distinguido com a premiação de Música do Ano e de Melhor Performance a Solo com o tema "Thinking Out Loud". Já Bruno Mars ganhou na categoria de Melhor Gravação do Ano, com "Uptown Funk" e o grammy para Artista Revelação de 2015 foi para Meghan Trainor.

Um dos grandes imprevistos foi a ausência de Rihanna no Staple Center. A cantora dos Barbados, que já havia ensaiado duas vezes no local da cerimónia, foi recomendada a não atuar devido a uma forte bronquite. Rihanna iria cantar "Kiss is Better", tema do seu recente álbum "ANTI".

08 fevereiro, 2016

A nova Era de Lady Gaga - Super Bowl

A primeira vez que fui ao Pavilhão Atlântico, hoje conhecido por Meo Arena, foi para assistir ao concerto desta senhora: Lady Gaga. Que, este domingo, espantou todos com a sua interpretação do hino nacional americano, no evento da Super Bowl.

Fez-se silêncio no Levi's Stadium, na Califórnia, para se ouvir o hino pela portentosa voz de Gaga. A performance da cantora foi digna de uma ovação geral da plateia e as atenções focaram-se nela. De bizarra e extravagante, passou a símbolo da música pop atual, de acordo com a imprensa e as redes sociais. Já se chegou, até, ao ponto de comparar a atuação de Lady Gaga à de Whitney Houston, no Super Bowl de 1991.


Depois do fracasso do álbum Artpop (2013), a cantora tem vindo a reinventar-se e é artista de destaque durante o mês de fevereiro, uma vez que marcará presença nos Grammy Awards (15/02) para uma homenagem ao falecido David Bowie, e na cerimónia dos Óscares (28/02), em que concorre à categoria de melhor música original com o tema Til it happens to you.

Eu sou suspeita para falar acerca de Lady Gaga, pois sou, há muito, uma fã assumida da cantora. Comecei por gostar do seu estilo logo que lançou o álbum The Fame (2008), que já apresentava um certo refresh na música pop, que a fazia destacar-se. Nesta altura ouvia-se a música de Gaga nas rádios e os videoclips eram transmitidos incessantemente na MTV. Era uma febre. 
Eu costumava dizer que Lady Gaga era a nova estrela pop e que tinha, de certeza, um futuro promissor na música. Não me enganei.
Mas muita gente dizia, na altura, que o sucesso de Gaga seria passageiro e que dali a um tempo já ninguém falaria nela. Enganaram-se.


Contudo, e principalmente quando foi lançado o álbum Born this Way (2011), tive alguma dificuldade em gerir o que Lady Gaga nos apresentava. Adoptou um visual mais irreverente, sombrio, e alguns dos vídeos tinham cenas um pouco bizarras. Mas independentemente disso, a qualidade das músicas e a voz permaneciam imutáveis. E é isso que me fascina na Gaga: a sua capacidade de se adaptar a vários estilos. Ora canta Just Dance, um tema totalmente pop, como interpreta um futurista Bad Romance, e deslumbra num acústico de Speechless. Ao mesmo tempo, a cantora também ganha espaço na ficção, tendo recebido o Globo de Ouro de melhor atriz pelo papel que desempenhou na série American Horror Story: Hotel.


Há uns anos, sempre que se sabia que Lady Gaga ia estar presente num evento, apostava-se qual seria o visual inusitado com que se ia apresentar. Certamente todos se lembram disso. Algum tempo depois, e para meu próprio espanto, assisto a uma Gaga mais comportada, mais crescida musicalmente, ao lado de Tony Bennett. É, realmente, uma artista completa, que em muito me faz lembrar o percurso de Michael Jackson. Aprecio-lhe a irreverência, a ousadia de experimentar novos sons, a personalidade forte em palco.


Este domingo (7/02), teve o merecido privilégio de interpretar The Star-Splanged Banner naquele que é considerado o maior evento desportivo dos EUA, transmitindo força e delicadeza numa performance arrebatadora. A meu ver, foi a surpresa da noite, embora haja quem atríbua a proeza a Beyoncé, que atuou juntamente com Bruno Mars e os Coldplay.

Já quanto ao duelo desportivo não há dúvidas: Denver Broncos foi a equipa vencedora da 50ª edição da Liga de Futebol Americano. Um evento anual que reúne adeptos desportivos, grandes artistas musicais, e que atrai milhões de espectadores, bem como enormes investimentos publicitários.

04 fevereiro, 2016

Filme: «O Estagiário»

Há umas semanas vi este filme e fiquei deliciada com a história e com as personagens que lhe dão vida. Trata-se de um filme leve, com um humor descontraído e um roteiro cativante na medida certa.
«O Estagiário» é um filme dirigido por Nancy Meyers e junta o grande Robert de Niro e a sempre encantadora Anne Hathaway.

O filme chegou aos cinemas a 1 de Outubro de 2015, mas só agora tive oportunidade de assistir. Antes de mais: tenho de confessar que sou um pouco esquisita com filmes. É uma característica minha. Nem todos os géneros me agradam. Mas esta comédia correspondeu às minhas expectativas. 


Robert de Niro interpreta Ben Whittaker, um homem de 70 anos, viúvo e reformado - mas ainda cheio de potencial - cuja rotina passa por praticar yoga, ler o jornal e ir aos funerais dos amigos. Mas Ben sente-se capaz de enfrentar novos desafios e recusa-se a ser mais um sénior aposentado. Assim, quando sabe que estão a recrutar estagiários com mais de 65 anos para uma recente start-up de moda online, não hesita em se aventurar.

 «Ouvi dizer uma vez que os músicos não se reformam. Param quando não têm mais música dentro deles. Bem, eu ainda tenho música dentro de mim. Tenho a certeza absoluta disso.» 

Esta fantástica analogia faz parte do discurso que Ben gravou para se candidatar e é uma das cenas iniciais do filme.
Como seria de esperar, Ben é aceite na empresa liderada por Jules Ostin (Anne Hathaway), uma mulher obstinada pelo trabalho e que, a princípio, não aceita da melhor maneira a chegada de novos estagiários. Demasiado ocupada, Jules começa por quase ignorar o seu estagiário assistente, mas com o desenrolar da acção, vai-se apercebendo das qualidades de Ben e do quanto ele pode ser útil à empresa.
Desta forma, Ben Whittaker passa de um mero estagiário sénior ao braço direito da CEO. Está sempre presente, antecipa soluções e apoia Jules profissional e emocionalmente, surgindo uma bonita amizade entre os dois.


É um filme que vem reforçar a importância dos seniores serem activos. Por quê deixar adormecer a sabedoria de uma vida só porque se está mais velho? Como o próprio slogan diz: a experiência não tem idade. E isso está evidente ao longo de toda a cena. Vê-se um Ben competente, profissional e cheio de boa disposição. Realmente, é importante estimular a mente e o corpo, estar activo e sentir-se útil. E isto vale tanto para seniores como para qualquer faixa etária. É bom ter uma ocupação, fazer o que nos dá vida, enquanto estamos vivos. O filme aborda, também, o confronto de gerações e os desafios que uma mulher pode enfrentar no mundo dos negócios. 
É indicado para uma tarde de sábado em que vos apeteça descontrair.
E lembrem-se: eu sou esquisita e gostei.
Logo, é bom! (que bonito raciocínio - risos)

Caso já tenham assistido ao filme escrevam-me a vossa opinião.