24 fevereiro, 2016

Zuckerberg e a nossa cegueira

Nem de propósito. O tema que abordei no último post (Tecnologia à Mesa) está, realmente, a ganhar contornos de outras dimensões.

Tudo começou no Mobile World Congress 2016, que decorreu no passado domingo, em Barcelona.
Mark Zuckerberg, conhecido fundador e CEO da rede social Facebook, fez uma aparição surpresa na Conferência da Samsung para falar acerca dos novos smartphones e gagets da marca. Até aqui, tudo normal. A questão é que o empresário norte-americano passou despercebido por entre a plateia, como se tivesse vestido o manto da invisibilidade de Harry Potter. Estranho?

Isso foi o que acharam os internautas ao verem esta fotografia, publicada pelo próprio Zuckerberg no seu perfil de Facebook. A imagem conta já com milhares de partilhas e está a lançar uma acesa discussão acerca do futuro da humanidade, numa era crescente em tecnologias.


A plateia estava a testar publicamente a câmara Gear 360 da Samsung, que no fundo são uns óculos de realidade virtual. Os jornalistas também participavam desse teste e estavam de tal forma alienados que ignoraram a passagem de Mark Zuckerberg, que parece ser a única pessoa lúcida na imagem. Só quando retiraram o aparelho é que se aperceberam de que o CEO estava na sala e começaram a disparar as habituais perguntas.

Mark Zuckerberg considera que estes aparelhos poderão permitir a criação de uma nova plataforma social, tendo como base a tecnologia de realidade virtual. O que nos remete a uma antevisão do futuro que muitos consideram "arrepiante".


Muitas comparações surgiram entre este acontecimento e o famoso filme Matrix, em que as pessoas são usadas e controladas através da tecnologia e lutam para se livrar do domínio das máquinas, numa era de Inteligência Artificial. A distância entre a ficção e a realidade parece estar a diminuir e há quem considere que este é apenas o prenúncio do futuro. As reacções gerais são de espanto e incredulidade, de um certo receio. Até que ponto tudo isto se poderá tornar numa tenebrosa realidade daqui a cinquenta anos? Não se está apenas a testar tecnologia avançada, os paradigmas estão a ser invertidos. Está a crescer uma dependência humana para com softwares eletrónicos, e surge a questão: usamos as máquinas ou estamos a ser usados por elas?

As questões surgem incessantemente e teme-se o retrato de uma sociedade isolada, incapacitada de pensar, embrenhada na ilusão de um mundo virtual, esquecida do seu papel na sociedade e à mercê dos grandes líderes.

«Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse a interação humana.
O mundo terá uma geração de idiotas.»
 Albert Einstein.

22 fevereiro, 2016

Tecnologia à mesa: Garfo, faca, e telemóvel

Para além da sobremesa, que em muitos casos se torna dispensável pelas calorias extra, estamos também a incluir nas nossas refeições algo que não é muito recomendável: a tecnologia! De acordo com um estudo da Marktest sobre os hábitos à refeição, estima-se que 81% dos inquiridos reconhecem que a utilização de aparelhos tecnológicos prejudica as relações interpessoais. Contudo, 70% admitem fazer uso do telemóvel durante as refeições.

phys.org

O estudo foi recentemente divulgado nos meios de comunicação social e só veio confirmar, em números, uma situação recorrente que está à vista de todos. Quero partilhar convosco uma cena (pouco) familiar a que assisti e que me fez pensar. 
Fui jantar a uma pizzaria, há cerca de uma semana, para comemorar o dia dos namorados. Não será o melhor menu para quem deseja emagrecer, e nem o mais requintado, mas era o que me apetecia! A pequena sala estava cheia e, ao meu lado, estava uma família esfomeada: um casal e os seus dois filhos. Eram espanhóis, percebi logo pela pronúncia, apesar de pouco terem falado.
Eu tive de esperar meia-hora até que a minha pizza familiar (metade frango e natas/metade tropical), estivesse pronta. E, nesse espaço de tempo, pude conversar e observar.
Comecei por invejar o banquete que chegava à mesa do lado: duas pizzas familiares, seguidas de batatas fritas com ketchup e, para finalizar, um cestinho de pão. E eu, nessa altura, ainda com o estômago vazio. 
Depois, - chegou agora a parte importante -, vi as crianças, que não deviam ter mais de 10 anos, a pegarem nos seus tablets, um para cada uma, e a verem vídeos no dito aparelho. 

Confesso, fiquei estupefacta. Os miúdos não esperaram sequer pelo fim da refeição, que até era apetitosa, para se agarrarem ao tablet. Nada disso. Cada um olhava para o ecrã enquanto iam comendo a pizza ou tirando uma batata com a mão. Os pais comiam e lá diziam alguma coisa entre si, mas espantou-me o facto de não falarem com os filhos, que estavam mesmo ali à frente. Não havia uma coesão familiar naquele momento, era cada um para seu lado, com os seus interesses. E, apesar de ser algo comum nos dias de hoje, achei estranho. Senti-me incomodada. E depressa percebi por quê.


Eu faço o mesmo. Gostava de dizer que sou um bom exemplo, que não faço parte dos tais 70% referidos no estudo, mas infelizmente faço. Eu própria, em cafés e restaurantes, procuro sempre a senha para o WiFi. E acho que foi isso que me chocou. Quando olhei para a refeição daquela família e para o comportamento, totalmente alheio, das crianças, pude ver-me retratada, de certa forma. Dizem que a nossa percepção se torna diferente quando nos vemos a nós próprios. Neste caso, não tenho nenhuma câmara em casa para me poder analisar, mas tenho a capacidade de observar os outros e de me rever, ou não, nos seus comportamentos.

É frequente mexer no telemóvel durante as refeições. E não me orgulho muito de reconhecer isto. A minha mãe costuma chatear-se comigo e chamar-me a atenção. Diz que está a falar para mim e que eu nem a oiço, ou então que não lhe respondo. Shame on me. A verdade é que, sem nos apercebermos, este mundo virtual nos suga. Parece que o tempo é sempre pouco para se ver as notificações do facebook, as fotos novas que publicaram no instagram, para assistir aos vídeos do youtube, para responder a uma mensagem do nosso melhor amigo. Parece que não dá para deixar isto para mais tarde, como se depois da hora do jantar todas essas atualizações já não estivessem ao nosso alcance. Claro que vão estar disponíveis! Mas parece que preferimos focar a atenção nisso a passar tempo de qualidade com os nossos.

Isto é algo extremamente preocupante. E, ao contrário do que se possa pensar, não é um problema só dos jovens. Os mais velhos, que em grande parte também já se renderam às tecnologias, comportam-se da mesma forma. Não digo que o façam às refeições, porque ainda associam esse momento a um ambiente de reunião familiar, mas quando estão na sala também parecem descartar o convívio e abraçar os computadores e televisões. 


Dou por mim a pensar em como seria a comunicação e as relações há sessenta anos atrás, durante a juventude dos meus avós. A tecnologia trouxe-nos, de forma inegável, diversos benefícios, mas há que ter consciência da forma abusiva com que a estamos a utilizar. Estamos a trazer máquinas para as nossas mesas. Estamos a perder o contacto com as pessoas. Estamos, a pouco e pouco, a perder a voz quando vamos ao café com os amigos, porque preferimos conferir o que se passa online. Não é assustador?

Há pessoas que, para se livrarem deste vício que vai minando relações, estipulam dias da semana para estarem totalmente off. Nada de tecnologias, nada de ecrãs, nada de redes sociais nem jogos online. Realidade, sê bem-vinda! Também sei de casos em que se banem os aparelhos electrónicos durante as refeições, e concordo plenamente com isso. Aliás, ando a esforçar-me para fazer o mesmo. O importante nesta vida são as pessoas e não há tecnologia que as substitua. Portanto, que saibamos fazer uma gestão do nosso tempo, das nossas práticas, e interiorizar que há um horário para o mundo virtual e outro, distinto, para as pessoas. Que não haja deturpações. Porque são as pessoas que nos amam. Porque são as pessoas que nós amamos. 

20 fevereiro, 2016

As temíveis idas ao centro comercial

Estou mudada. Nem me reconheço. Mas isto está mesmo a acontecer comigo?! A simples ideia de pôr os pés num centro comercial agonia-me. Está a crescer em mim uma relação de amor-ódio. Não é que eu não goste de fazer compras, pelo contrário, sou daquelas pessoas que mesmo não precisando de nada encontro sempre algo que passa a fazer parte da minha wishlist. Até porque sou um bocadinho vaidosa e perco-me, especialmente, nas lojas de cosméticos e maquilhagem. 
Então, estarão vocês a perguntar, o que é que me incomoda nestas superfícies comerciais?

Aqui fica a lista. 




1 - Andar sem parar
Já andei mais de duas horas num shopping. Atenção: de saltos altos. Este pormenor tem o poder de duplicar a sensação temporal e o cansaço na mesma proporção. Sim, podia ir de ténis. Mas se calhar sou mais do que só um bocadinho vaidosa.

2 - Dores de cabeça
Talvez ninguém estivesse à espera desta. A verdade é que sempre que fico muito tempo num centro comercial de um lado para o outro, a entrar e a sair de lojas, começo a ficar um pouco tonta e com dor de cabeça.

3 - Preguiça de experimentar roupa
É verdade. Principalmente nos meses frios. Uma pessoa vai toda agasalhada, parece uma cebola com tantas camadas de roupa... e depois tem de despir tudo nos provadores para ver se aquele é o tamanho certo e se a cor lhe fica bem. Hum,hoje não. 

4 - Pouco dinheiro para tanto bom gosto
Sempre que pego num casaco, numa mala, em seja o que for, assusto-me com o preço. (Ainda não mencionei que sou forreta). Mas às vezes o valor deixa-me de boca aberta, principalmente quando acho que aquela peça não tem uma qualidade assim tão boa. Nos outros casos, convenço-me que tenho pontaria para o que é bom (e caro). Hum, hoje também não.


5 - Comprei, mas não gostei
Já aconteceu a alguém? Aposto que sim. Há quem vá aos saldos e perca a cabeça. E depois fica-se em casa com uma data de coisas sem utilidade e que, afinal, nem nos ficam assim tão bem como na loja. É a chamada compra por impulso. Resultado: tempo e dinheiro perdido! 

6 - Sufocada dentro das lojas
Se for ao fim de semana então é para esquecer. Principalmente numa loja cujo nome começa por P e acaba em K. Sei que já adivinharam e estão a concordar comigo neste momento. Aquilo chega a ser um caos! Mal consigo passar pelos corredores com tanta gente, as roupas estão todas misturadas e caídas no chão, e quase sempre perco de vista as pessoas com quem fui. O que é certo é que mesmo assim, lá vou. Às vezes o sufoco compensa.



7 - Não há o meu número
É frustrante. Encontrei o vestido perfeito para ir a um casamento, mas não há o meu tamanho. Ou, se há, o fecho está estragado. Ou eu queria em rosa e só há em branco. E não quero que me confundam com a noiva!

8 - Ser tentada a comer fast food
Isto é algo que mexe comigo. Quero ter uma alimentação mais saudável e até faço muito por isso. Mas quando me imagino num centro comercial e sei que vou ter de comer lá... oops. Não sou ora assim tão indiferente ao chamamento de hambúrgueres e pizzas quanto gostaria. E, apesar de muitas vezes optar por refeições mais equilibradas, há shoppings mais pequenos que ainda não dispõem de um leque tão alargado na restauração.


9 - As viagens de carro
Sim, quando quero ir a um shopping tenho de fazer, pelo menos, uma hora de viagem. Vivo numa cidade, capital de distrito (adoro salientar este aspecto), mas por aqui só há hipermercados e algumas lojas do comércio tradicional. Shopping ou Fórum, como lhe queiram chamar, só fazendo a viagem de carro, o que também se torna cansativo.

10 - Não aproveitar bem o tempo
Como tenho que me deslocar perco tempo nas viagens, a somar ao tempo que passo no shopping... muitas vezes tenho de andar à pressa, o que me causa um pouco de stress. Por isso, e uma vez que não tenho um centro comercial ao virar da rua, acho que é preferível aproveitar o tempo para ler, ver um bom filme ou descansar. Sim, devo ir a caminho dos trinta. (risos)